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Startups brasileiras captam US$ 1,54 bilhão no segundo semestre de 2022, apontam dados do Distrito.

Startups brasileiras captam US$ 1,54 bilhão no segundo semestre de 2022

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As captações das startups brasileiras despencaram no segundo semestre de 2022, segundo o Inside Venture Capital da plataforma de inovação Distrito. A alta global dos juros pesou sobre o apetite do capital de risco. Apesar dessa desaceleração nos últimos seis meses, alguns setores, como o de energytech, mostraram resiliência e receberam cheques elevados. Um outro levantamento do Distrito, o Retrospectiva 2022, aponta que o ano passado foi o segundo melhor para o setor desde o início da série, em 2013. 

Entre julho e dezembro do ano passado, as startups captaram US$ 1,54 bilhão em recursos, o que representa uma queda de 65% em relação ao mesmo período de 2021 e de 47% na comparação com o primeiro semestre de 2022. Foi o segundo semestre menos movimentado desde 2019. Graças ao bom desempenho da primeira metade do ano, as startups arrecadaram US$ 4,46 bilhões em 2022, só perdendo para os US$ 9,8 bilhões levantados em 2021. 

“É inegável que houve uma piora de cenário ao longo do ano, levando o capital de risco a ser mais seletivo. Mas a desaceleração mais forte no segundo semestre é a consolidação de um cenário que começou a se desenhar ao final de 2021. Apesar do ambiente macroeconômico desafiador, os VCs captaram e ainda possuem níveis recordes de capital. Só nos Estados Unidos, são US$ 290 bilhões disponíveis para serem investidos em empresas de tecnologia”, explica Gustavo Gierun, CEO e cofundador do Distrito, citando dados compilados pelo venture capital Decibel Partners. “O outro lado da moeda é que vimos alguns cheques grandes serem assinados, reforçando a nossa tese de que sempre existe apetite para bons projetos.’’ 

Um setor que recebeu esses cheques mais elevados foi o de energytech, que captou US$ 174 milhões no segundo semestre de 2022. Isso representa uma alta de 41,8% sobre todo o ano de 2021, quando o volume ficou em US$ 123 milhões. Os problemas climáticos, a volatilidade dos preços da energia e a evolução regulatória impulsionaram o setor. O grande destaque ficou por conta da Órigo, startup que atua em geração distribuída de energia solar e que recebeu US$ 135 milhões em julho.  

Outros destaques do segundo semestre: 

  • Early stage (série A e B): US$ 630 milhões, -70,1% em relação ao segundo semestre de 2021; 
  • Late stage (série C em diante e private equity): US$ 720 milhões, -66,4% em relação ao segundo semestre de 2021; 
  • M&A: 79 operações, -41% em relação ao segundo semestre de 2021. 

Retrospectiva 2022: 

  • M&As: 200 operações em 2022, contra 250 em 2021; 
  • M&As: 107 transações de startups comprando outras startups, o que representa 56,9% do total de operações de aquisição durante o ano; 
  • M&As: 57 aquisições foram feitas por corporações, ou 30,3% do total; 
  • M&As: fintechs é o setor com mais deals, respondendo por 23,4% do total; 
  • Captações: foram 12 mega rounds (deals superiores a US$ 100 milhões) em 2022, -69,2% em relação aos 39 de 2021.